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2013-03-06

João César Castro Soares

Dieta dissociada: uma maneira objetiva e segura de perder peso


A obesidade é uma doença crônica cada vez mais prevalente e talvez a mais potencialmente previnível. De acordo com IBGE, no Brasil, das 95,5 milhões de pessoas com 20 anos ou mais, 38,8 milhões tinham excesso de peso, dos quais 10,5 milhões eram obesos, e aproximadamente 6% deles eram obesos graves. Logo há mais obesos que desnutridos do Brasil. Um dado alarmante: obesidade mórbida cresceu 255% entre a população brasileira nas últimas quatro décadas e acentuadamente mais em mulheres.   A obesidade está ligada a várias alterações metabólicas como alteração da resposta inflamatória, resistência à insulina, síndrome metabólica (aumento do risco cardíovascular) e SAOS.  Muitas dietas têm sido tentadas, com pouco êxodo. As mais eficazes se baseiam em exclusão ou separação de alimentos, tornando-se infelizmente desbalanciadas.

 

 

 

 

Como resolver esse problema?

 

Primeiro tem que ser feita uma conscientização da população mostrando malefícios da obesidade (ex: divulgação na mídia, debates públicos,  medidas governamentais..) e campanhas de ampla divulgação( mostrando ao leigo a maneira correta de se alimentar e exercitar).

No dia a dia da prática médica, existem basicamente duas condutas: a cirurgia bariátrica é uma boa opção, porém tem várias ressalvas (tem que preencher critérios restritos do Consenso Brasileiro) e na prática não é uma solução pontual e sim uma dieta forçada (pode ser restritiva e/ou disarbsortiva). Uma forma mais amena e econômica é fazer uma dieta hipocalórica.

Dieta é tema do cotidiano. E sempre aparece alguma “fórmula mágica”, às vezes polêmica e mirabolante, que acaba sendo esquecida rapidamente. No entanto, desde a década de 50 tem sido valorizada a idéia que ao se separar alimentos é possível perder peso comendo uma quantidade satisfatória.

 A maioria das dietas separa os alimentos em grupos. Os alimentos ricos em proteínas e os ricos em carboidratos. Logo ocorre uma grande privação de um grupo de alimentos, aumentando a cobiça por esses alimentos podendo até levar um quadro compulsivo.

Além da nítida sobrecarga metabólica. Podemos citar algumas abaixo :

·         Excesso de proteínas: aumento do colesterol, do ácido úrico, das escórias nitrogenadas.

·         Excesso de carboidratos: aumento do triglicérides, menor saciedade, liberação maior insulina(se não for feito o uso de alimentos integrais)

Dietas deficientes em carboidratos podem ocasionar um déficit muscular, já as deficientes em proteínas dificultam aumento da massa magra.

Logo a prescrição de uma dieta não é algo estático como uma receita de bolo. Cada paciente tem sua peculiaridade.

Quantidade de massa magra, variações de peso, padrão nutricional dos últimos meses, uso de medicações específicas para perda de peso, alimentos e horários de preferências são apenas alguns dados que sempre deveriam ser estudados, mas que na prática são subvalorizados por muitos médicos.

 

 

Então por que fazer dieta é tão difícil?

O indivíduo tem que optar em fazer, não é uma atitude imposta. O cotidiano vai ser de alguma forma alterado. Além disso, o foco de quase todas dietas é errado, pois não valoriza a alimentação cotidiana, fracionada e equilibrada com folhas, verduras e frutas. Só se preocupa em dizer o que não comer, sem dar ênfase no que é correto. O paciente se sente vencido e desmotivado antes mesmo de começar.

A dieta tem que ser parte da resolução do problema.

 

 

 

Dieta dissociada

Em resposta às críticas e ponderações citadas. Vem sendo empregada cada vez mais a dieta dissociada, tanto no Brasil quanto no exterior. Esta permite ter uma dieta rica e balanceada ao longo do dia.

A dieta dissociada propõe que essa dissociação ocorra num curto período do dia. Começando com carboidratos e terminando com proteínas (usadas no período após almoço para evitar o período mais crítico da fome vespertino-noturno).

 Os alimentos ricos em carboidratos liberam energia mais rapidamente e com menos esforço.  Diminuindo a sensação de fraqueza tão comumente relatada. Com mais carboidratos disponíveis para uso durante as atividades, evita-se a queima desnecessária de proteína muscular.

A grande vantagem de conter carboidratos num período do dia é manter um bom nível de serotonina (neurotransmissor responsável pela sensação de saciedade e de prazer). O triptofano, que é um precursor da serotonina não será consumido como fonte de energia, logo você terá liberação maior de serotonina, melhorando a aderência do paciente.

 

Usar de preferência alimentos integrais, que são mais ricos em vitaminas, minerais e fibras, que, por não serem refinados, oferecem maior saciedade com a mesma quantidade. A vantagem dos não beneficiados é que eles induzem a índice glicêmico menor, liberando menos insulina. Foi comprovado  que o consumo de amidos beneficiados leva a um aumento dos triglicérides.

 

O açúcar deve ser evitado durante a perda de peso, para se evitar o bloqueio da lipólise. Hoje, temos diversas opções interessantes de adoçantes não calóricos. Na parte da tarde, iniciar com alimentos mais ricos em proteínas, que basicamente são de origem animal e dão sensação mais duradoura de plenitude, devido à digestão mais complexa

 

 

 

Tanto no almoço com carboidratos quanto no jantar com proteínas, é importante que esses alimentos estejam bem acompanhados de verduras e legumes., além de melhorarem o hábito intestinal devido à grande riqueza de fibras. O ideal na refeição seria fazer sempre o consumo inicial de salada e legumes, porque, no começo das refeições, comemos de forma mais compulsiva; devemos, então, privilegiar os alimentos de menor caloria.

Do início da refeição até ocorrer a sensação de saciedade demora mais de  15 minutos. Aumentar a freqüência de alimentação é interessante, buscando assim saciedade, evitando a hipoglicemia e os exageros (gula, compulsão alimentar). E também consumindo a mesma quantidade de alimentos em poucas refeições leva ao ganho de peso menor devido à sua concentração, pois, se fracionarmos as refeições, o nosso aparelho digestivo é solicitado a trabalhar várias vezes, causando maior gasto termogênico alimentar frente a mesma absorção.

 

Deveríamos nos alimentar seis vezes ao dia (café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e lanche noturno). Exemplos práticos, cedidos pelo Spa Fazenda Igaratá, para os horários entre as principais refeições:

Café da manhã pães ou torradas ou cereais matinais e tomando uma bebida hipocalórica (chá, café, sucos, leite desnatado ou leite de soja sempre sem açúcar).

Observação: O leite desnatado tem porcentagem de carboidratos e lactose maior que a de proteínas, deve, portanto, ser consumido no período de carboidratos.

Lanche da manhã frutas, bolachas água e sal, barra de cereal sem açúcar.

Lanche da tarde alimentos práticos (gelatina, queijo, iogurte)

Lanche noturno semelhante ao da tarde associando caldos e chás reconfortantes.

A sobremesa no almoço, que tem de ser rica em carboidrato, uma das melhores opções são as frutas. No jantar, as gelatinas e pudins diet, que são basicamente protéicos.

A ingestão de líquidos nas refeições auxilia, pois no regime é necessário eliminar uma maior produção de corpos cetônicos (metabólitos resultantes da quebra da gordura corporal acumulada) que é feita associada à água. No emagrecimento, para cada grama de gordura queimada são necessários 50ml de água.

Lípídeos, devem ser evitados.  Além de serem muito calóricos (mais que o dobro quando comparadas a carboidratos e proteínas). Na digestão e absorção, gastam muito pouca energia. Dos alimentos é o que dá menor sensação de saciedade, por isso que é mais fácil consumir compulsivamente.

Uma grande dificuldade dos obesos e sobrepesos é iniciar a dieta. Quase tudo é motivo para postergar. Uma boa saída para esses pacientes é, após decidirem emagrecer (adesão do paciente é imprescindível), a permanência de pelo menos uns poucos dias em uma instituição que permita o convívio com pessoas na mesma situação e dieta adequada. A mais adequada nesse caso é o Spa. Há alguns anos atrás o mercado brasileiro era muito fechado, mas atualmente há boas opções com preços acessíveis.

 No Spa fazenda Igaratá foi adotada a dieta dissociada com sucesso. Permitindo ingerir os dois grupos supracitados no mesmo dia, porém em horários diferentes. Com isso foi possível obter uma perda de peso mais saudável e com velocidade de perda semelhante à outras dietas.

 Durante janeiro 2006 e fevereiro 2008 foi analisado os dados de 2467 pessoas que se hospedaram. Critérios de admissão na análise: ser pelo menos sobrepeso( pelo padrão IMC), permanecer ao menos 48h, homens ou mulheres entre 18-76 anos, comer as refeições sem a inclusão de alimentos externos, prática de pelo menos uma atividade física diária, ser pesado no momento de entrada e saída.

População frequentadora do Spa Igaratá e alvo da análise: mulheres 8:1 homens, idade media 31 anos, maioria sobrepeso ou obeso.

Neste período foi observado a perda de 10, 7% do valor corporal por mês. Dado comparativo com literatura atual. Mantendo o equilíbrio nutricional diário sem privação de elementos.

 

 

Conclusão

 

 

O problema da obesidade é conhecido e deve ser combatido precocemente visando diminuir a incidência de doenças ligadas à síndrome metabólica (melhorando a qualidade e a expectativa de vida). O aumento do peso é uma questão de saúde pública, não deve ser visto como uma questão estética e sim como doença.

A separação dos alimentos é uma forma inteligente de perder peso. Spas podem ser úteis no início e na manutenção da dieta. Através da dieta dissociada fica uma forma mais coerente de emagrecer sem sobrecarregar o organismo ou suprimir algum elemento. É necessário um maior investimento em pesquisa nesse campo para se definir se há diferenças significantes entre idade, nível sócio econômico, tempo de adesão, uso de medicação, atividade física e comorbidades.

 



Fonte:



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